CHEGANÇA

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

VOCÊ QUE CEDO ENTARDECEU

Hoje é o último dia do ano, dia clássico para reflexões, retrospectivas, avaliações, limpezas... e nesse dia eu vou falar com você Adriana Arigoni Pinheiro, vou falar com você como se estive aqui na minha frente após 5 meses e 7 dias da sua passagem e viesse saber o que aconteceu nesse tempo... porque já está indo embora novamente, sim, agora você pertence a outra dimensão.Começo te contando que como um bom exemplar de ariana que sou, eu movi céus e terra pra conseguir o mais rápido possível sua transferência de hospital, juro que não fui mal educada com ninguém, mas insistente como você conhece quando eu quero (verbo ariano) que algo aconteça... naquele dia sua mãe pediu pra eu te acompanhar na ambulância e fui com o maior prazer do mundo. O motorista te conhecia e a enfermeira me contou tudo da vida dela e você morrendo de dor de cabeça, lembra? Combinamos de escrever um texto juntas sobre a aventura, porque eu via assim, uma aventura. Que martírio o dia que cheguei na UTI e você tinha acabado de entrar no centro cirúrgico e eu tinha ficado conversando com a Liginha no prédio da reabilitação... recebi tantas ligações pra saber sobre o andamento da cirurgia e o André e o Tiago foram fazer companhia e aguardar você sair da sala. Eu te reconheci pelo pé,   você era a única paciente de pés e mãos feitos... diva sempre. Bom, as coisas não desenrolaram como gostaríamos e eis o recebimento da notícia... você pode imaginar o que foi contar isso pra nossa mãe? Armei um esquema blaster pra fazer isso. Várias regras da UTI foram quebradas pra que eu desse tal notícia da maneira mais segura que pude imaginar naquele momento. Nada como ter amigos, ex alunos e fazer amizade com o segurança. Mamy se comportou como você esperaria, uma lady e uma fortaleza ao mesmo tempo... temos no DNA esse registro graças a Deus. E por falar em amigos, temos os melhores minha nêga, os seus, os meus, os nossos. Eu e o Tiago ficamos cunhados de fato, o Cuca foi incrível, a Mari indiscritível e os demais fizeram de um tudo por nós. Com a confirmação da sua morte cerebral, doei seus rins e córneas (com a aprovação da mãe), negociei horário de cirurgia, marquei o horário do seu velório e enterro, fui declarante oficial da sua morte, reconheci você no necrotério, escolhi seu caixão e a cor do batom, tudo isso acompanhada da Beth e do Igor que são os maiores companheiros desse mundo. Seu velório não foi de ambiente pesado, e um dia depois eu pensei que poderia ter colocado a música do Duran Duran que você tanto gostava - Save a Prayer - estou ouvindo agora... tá um drama aqui. Ah, nossa família é super, né? A tia Zezé fez aquela comida mineira pra gente no dia seguinte. A partir de então a preocupação foi com as datas comemorativas que se deram assim:Aniversário da mãe - o tio Geraldo arrasou. Fez a festa do casamento dele no dia num sítio bacanérrimo em Taiaçupeba. Fora os mogianos, veio o Gu e a Sara, o Tiago e a Vandi que agora é da família também. A mãe ficou bem.Seu aniversário - várias ligações, incluindo o Tiago e mensagens. A msg do Fer Igoshi foi show, dizia: Hoje tem festa no céu, pena que sou jacaré...Natal - sofremos horrores por antecipação e no dia a família estava tão inspirada que tudo foi genial. A oração ficou com a Beth e nós, primos e Tiago (passou o Natal aqui) bebemos todas e acabamos a noite aqui em casa.Ano Novo - será na Beth, comilança total.No mais, você precisa saber: - há novo elemento na família, porque sua mãe está namorando!!! Não é incrível? Eu amei e você certamente iria gostar dele.- conhecemos a família do Tiago que veio a SP pela 1º vez. Adoramos. E ele se mantém muito presente.- almoço todos os dias com a mãe agora, incluindo domingo que os almoços são na casa da Beth.- aquela parede do seu quarto foi pintada de um lindo verde e o seu armário continua intacto, quase intacto, tomei posse dos perfumes e da maquiagem e algumas peças chave foram carinhosamente dadas de recordação para os seus mais queridos.  Eu te amo tanto, tanto, que escrever isso foi necessário para esvaziar um pouco. Morro de saudades, mas não tenho nenhuma indignação pela sua partida... foi seu tempo... qualquer hora será o meu. Você não faz ideia de quantas músicas me lembram da sua ausência, da sua presença, do seu sorriso, das gargalhadas, da teimosia, da generosidade... enfim, que honra ter vindo nessa vida sua irmã.